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[Sábado, Novembro 01, 2008]
Desde o inesquecível desastre das torres gêmeas, todos começaram a festejar a queda do imperialismo norte-americano, inclusive eu, que nunca fui muito fã dos caras. Seja por um mau governante ou por uma decadência natural os EUA a partir daí vem passando por várias crises que esmagam o “american way of life” feito baratinha. Só que ao brindarmos a tristeza deles, esquecemos que eles não são uma ilha e que nós também não somos. Nos momentos de fartura norte-americana, há quem tivesse lucrado com isso. Quantos brasileiros não foram trabalhar nos Estados Unidos para enviar dinheiro para a família? (Governador Valadares que o diga!). Ainda que na ilegalidade, os latino-americanos que foram tentar a vida lá tiveram oportunidades que jamais teriam por aqui. E agora eles tem que se desfazer desse sonho para acordar para a realidade. A de lá ou daqui? Tanto faz. Nós que tanto torcíamos pela queda do poder norte-americano, estamos sofrendo com os reflexos dessa crise. Não só pelos nossos primos, amigos ou aqueles que a gente vê as histórias bem-sucedidas na TV. O sonho de um Brasil melhor também está mais turvo. O milagre econômico brasileiro do século XXI, com um dólar abaixo de dois reais somado ao sonho da casa própria, das viagens internacionais e das ofertas de um emprego foi um ensaio de um sonho brasileiro, rapidamente despertado pelo fim de um sonho americano mais antigo e que até virou realidade. E agora, será que vale a pena alimentar algum sonho, ou mais ainda, será que a saída é sonhar?
(Shenara Pantaleão)
por Em Foco * 12:38 PM
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[Sábado, Junho 07, 2008]
Em busca do papel
É pura balela vir aqui no blog e ficar panfletando idéias de como um mundo deveria ser melhor e querer que concordem com as trinta linhas que geralmente escrevo. O que venho trazer nesse texto é o que me inquieta, é o que me motiva a sair do conforto do meu sofá e sentar aqui para compartilhar minha falta de comodismo com as coisas de praxe.
Desde pequena escuto falar sobre os policiais que cobram dinheiro dos moradores para prestarem serviço de proteção em pontos que a segurança pública não alcança muitas vezes por negligência. Desempenhando nada mais que seu papel, a equipe do jornal fluminense O Dia foi fazer uma investigação na favela do Batan, no bairro de Realengo (zona oeste), sobre a atuação desse grupo, mais conhecido como “milícia”. O resultado já sabemos: A equipe foi levada para um cativeiro e torturada durante sete horas e meia, submetida a socos, pontapés, choques elétricos, sufocamento com saco plástico e roleta-russa. Socorro! É nesse mundo que eu vivo? É isso que sobra para nós, jornalistas cariocas?
Infelizmente, sobre isso estou acostumada e como disse no início, vou guardar meu discurso de paz no bolso e acredito que esses questionamentos não garantem a proteção e nem viabilizam a melhora da segurança em lugar nenhum.
Em todas as edições dos jornais no Rio de Janeiro, têm alguma matéria sobre a violência nas comunidades carentes da cidade. Mas cadê a motivação do Estado e da justiça para que essa situação seja ao menos controlada? A milícia nessa comunidade em Realengo deve existir há muito tempo e só agora, com essa barbaridade cometida, vejo que o Estado volta seus olhos para os problemas que esse lugar enfrenta. O que antes era discurso, só agora com essa maldade, se torna prática.
Depois de tanto tempo de conivência (sim, isso mesmo!) com essa prática criminosa, a polícia quer mostrar que está desempenhando seu papel na sociedade. Mas será necessário que haja Tim Lopes e equipes de veículos jornalísticos como vítimas? Tantos menores, trabalhadores, policiais e até bandidos morrem todos os dias e nada muda, nem o discurso.
As medidas dos policiais, desde a descoberta do cativeiro, foram demolir uma área utilizada para promover shows de pagode e funk e um bar de alvenaria construído irregularmente. Além disso, apreenderam barracas de metal usadas para comércio de alimentos e bebidas, freezeres e alto-falantes (pergunto eu: o que isso tem a ver diretamente com a segurança?). As ações mais próximas para garantir a paz foram tirar o serviço de iluminação clandestina e uma banca de jornal fechada que tinha várias peças de carros. Inclusive acredito que agora, com a comunidade às escuras, a violência vai tender a piorar e pensar que os moradores terão dinheiro para arcar com os custos da Light, não é nada mais que um sonho infantil.
Os criminosos estão sendo presos. Mas só porque esse assunto está em evidência. De acordo com o jornal O Dia, no período de 2005 à 2008, mais de 200 pessoas morreram vítimas das ações desses grupos para-militares. Mas presos? Só 45. Eles informam também que essas milícias comandam 78 regiões só na cidade do Rio. Imagina na Baixada Fluminense? Acho que um jornalista tem que morrer por lá para que seja noticiado e entre nas estatísticas.
Será que enquanto os policiais fazem questão de mostrar o seu papel somente quando toda a sociedade, em especial a midiática, está de olho, nós, jornalistas ou quase-jornalistas devemos nos permitir vulneráveis à execução de atos criminosos para que os problemas sociais das favelas tenham a merecida atenção? Gostaria de fazer esse convite de grego, sem garantia da minha participação, aos meus colegas de profissão, para que deixem de desempenhar o papel de veicular informação para serem personagens de um absurdo e símbolos de martirização.
Shenara Pantaleão
por Em Foco * 10:59 PM
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[Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008]
É com esse que eu vou ...
Alguém já disse que amigo é coisa pra se guardar? Eu tenho amigos, amigas... Mas porque não ter os dois ao mesmo tempo? A boa agora é ter amigo gay. Ele te entende perfeitamente, é sensível, conhece todas as cantoras pops do momento, te indica várias músicas interessantíssimas, te elogia, é alegre, colorido, vai no shopping e no cabeleireiro sem resmungar, não diz que você é linda pra conseguir algo em troca (a nível de segundas intenções), mas se tá linda mesmo, ele também diz. Apesar de geralmente exibirem um traço de futilidade, conseguem ter papos filosóficos que transcendem a mesa de bar.
E ser elogiada por um gay não é pouca coisa. Por não gostar de mulher, é algo compatível como um heterossexual elogiar a beleza do outro. Bem difícil, né? Então, sinta-se uma diva. Mulheres elogiadas por eles? Madonna, Lady Dy, Gal Costa (que apesar de não ser gata, tem uma voz pra ninguém colocar defeito), Ivete Sangalo, Luciana Gimenez, Claudia Raia, Christina Aguilera, e por aí vai.
Ah! E os conselhos... Ele é homem e nunca vai deixar de ser. Quando pequeno, conviveu certamente com meninos “heteros” e consegue traduzir pra gente a obscuridade da mente masculina. Se homem não presta, eles detectam. Quer coisa melhor que essa?
Mas a relação também tem uma troca. Se a tendência dele é ter um comportamento ligado ao jeito feminino de ser, nada melhor que nós, Meniníssimas, com M maiúsculo mesmo, pra dar aquela dica pro nosso amigo. E não desanime se você não tiver um, amigos assim é o que não faltam. Na última parada gay de São Paulo, foram 3 milhões e meio de gays e simpatizantes, imagina quantos não tem pelo Brasil? E ainda tem de tipos variados. Os com estilo “the strokes”, emos, playboys, sarados (vulgo “barbies”), boêmios, com charme de intelectuais, tem uns que são tudo isso e tem outros que não são nada disso. Tem amigo gay pra todos os gostos, mas todos eles tem bom gosto. E se você é uma boa amiga, certamente tem um amigo que é ou ainda vai se descobrir gay. E quanto aos meus amigos gays? Um arraso!
Shenara Pantaleão
por Em Foco * 10:11 PM
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[Quarta-feira, Dezembro 05, 2007]
De que lado você samba?
Desculpem-me, eu tento entender mas não consigo. Como a vida de um garoto da zona sul carioca baleado com um tiro na cabeça em um clube luxuoso no Leblon pode ter mais relevância que tantas crianças que morrem todos os dias nas ruas cariocas? A opinião pública tá toda errada. Se fosse um garoto da favela, tenho certeza que mal sairia uma notinha no Meia Hora e, ainda assim, com o título " pivetinho marcou bobeira e se deu mal".
Espero que essa atenção toda que um dos jornais de grande circulação esteja dando, tenha a intenção de alarmar a classe média alta, para mostrar que além de bandido ser filhinho-de-papai, as vítimas agora também são. Espero principalmente que sirva para mudar a consciência desta elite tão indiferente para os problemas sociais. O Brasil é assim: Só se movimenta quando a elite se sente acoada. Depois que descobriram que pessoas da Barra da Tijuca eram traficantes em raves e assaltavam seus próprios condomínios, a postura que eles tinham até então quanto a violência foi alterada. Tomara que esse triste acontecimento com esse menino, faça com que os moradores do Leblon, Gávea, Ipanema e Jardim Botânico prestem atenção na violência e tomem alguma atitude, que não pode ser só do Estado, mas sim da nação como um todo. Em um país capitalista, a nação que faz a diferença é a que possui importantes cargos e grandes empresas, inclusive de comunicação, em que o povo se torna apenas massa de manobra. Entre tantas manobras que essas empresas fazem, a de alterar esse pensamento vai ser uma atitude positiva, que para mim pode ser comparada a cassação do ex-presidente da República Fernando Collor.
Sim, a violência deixou de subir o morro para subir as imbatíveis mansões dos "altos leblons" da vida.
Mas, se depois desse enfoque todo no caso desse menino, não houver nenhuma mudança e seja observado que foi apenas porque ele era da zona sul, me desculpem, sou estudante de jornalismo, mas para sambar dessa forma, prefiro me retirar da roda, ser ruim da cabeça e doente do pé.
(Shenara Pantaleão)
por Em Foco * 3:28 PM
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[Segunda-feira, Outubro 15, 2007]
Tem gente que daria tudo para encontrar o grande amor da sua vida. Eu não. Sou hipócrita? Eu não. Acredito que quando a gente vive um amor, vivemos o tempo exato de descobrirmos que este não é o grande amor. Quantas vezes você não ouviu alguém em um momento de decisão rompante dizer que aquele (a) com quem estava não era definitivamente a pessoa da sua vida? Pode ser com um dia, um mês, cinco meses, cinco anos.. cinqüenta anos. E aí cai a ficha. “Não, não é ela”. Aí você vai atrás de outra pessoa, com quem você vive mais um tempo e também vê que não é. Eita, mas que chato esse desencontro. Mas é que amar é assim mesmo, se você não for comodista e quiser viver pra ser feliz e aproveitar, é assim mesmo. Amor tem prazo de validade sim. Paixão, atração e todos os seus derivados também. A validade é que varia. Tem gente que só depois que morre, percebe que aquela pessoa que amou pela vida toda, não era o amor da sua vida. Viver a validade dos sentimentos é o que importa. E a validade da vida inteira, eu quero sim.
Explicação da foto: Cow Parade
Parabéns ao Rio de Janeiro por suas vaquinhas. Que arrancam risos e provam que a arte transforma e educa. Um Rio de Janeiro marcado por ter péssimas tropas de elite, não é marcado pelo vandalismo das esculturas espalhadas por toda a cidade. A exposição está no mundo todo, inclusive em países de primeiro mundo, e as vaquinhas do Rio foram as únicas que não sofreram com atos de depredação. Nós somos pobres, mas somos limpinhos. =)
(Shenara Pantaleão)
por Em Foco * 6:13 PM
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[Sábado, Julho 14, 2007]
Chega a ser engraçado ouvir dizer que brasileiro é vagabundo e preguiçoso. Tenho percebido que isso é talvez uma grande mensagem subliminar pra tirar o fardo do desemprego e da falta de oportunidades do governo e remetê-las ao povo. Não, sem teorias lunáticas. Em pleno Rio de Janeiro, que tem fama de ser um dos lugares mais perigosos do Brasil, os jogos Pan-Americanos conseguiram reunir 20.000 voluntários. Ou seja, 20.000 pessoas para trabalhar DE GRAÇA. Por um evento, por uma causa.
De graça, essas pessoas saíram das suas casas para trabalhar em horários muitas vezes puxados. De graça, elas saem antes do nascer do sol. De graça, muitos desses abandonaram suas famílias, seus amigos, seus estados por um mês, para estar aqui, no Rio, para trabalhar, para ganhar uma experiência.
Sem contar que estamos em plenas férias de julho. O momento exato no meio do ano do ser venerar a ociosidade alheia. Mas, de graça, eles dão adeus a boa vida e vão pôr as mãos "na massa".
Paralelamente, existem pessoas que trabalham em pról do público, do país, tem um salário pra lá de bom, férias de julho e reclamam que trabalham muito e por isso, tem que receber um salário cada vez mais alto. Esses reclamões se chamam deputados, se chamam ministros e juízes dos superiores tribunais. Tanto os ministros quanto os juizes ainda podem ter argumentos, se formos considerar o conhecimento e bom desempenho durante as suas carreiras profissionais. Mas os deputados.... É um absurdo eles terem um salário de mais de 12.000,00. É um absurdo reclamarem porque querem ganhar mais. E não só os deputados. Vereadores, prefeitos, governadores, senadores. Sim, eu entendo. Eu entendo que eles tem que deixar de lado a profissão que eles exercem para atuar em seus determinados cargos. Mas acho que a cara-de-pau tem aumentado. E aumentado a tal ponto que dizer que 12.000,00 é pouco. Atenção! Existem também outros benefícios que eles embolsam, dinheiro indireto do povo, chamados carinhosamente de verbas. Verbas para despesas com escritório político nos estados, passagens aéreas, correios, telefones e auxílio moradia. É gente, até auxilio moradia. E tudo isso com o dinheiro que nos é tirado. Tirado dos que tem fama de vagabundos. Talvez a palavra vagabundo tenha mudado de significado, pelo menos nesse caso. Para mim, vagabundo é ser honesto, trabalhador, esforçado, é trabalhar durante um ano inteiro e nas horas vagas, buscar ajudar em um trabalho voluntário. Sim, confesso: eu sou uma vagabunda. E você, é?
(Shenara Pantaleão)
por Em Foco * 4:27 PM
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[Terça-feira, Maio 29, 2007]
A malícia no Jornalismo Investigativo
"Errar é humano". Quem já não escutou essa frase? No jornalismo "errar" pode representar o fim de uma carreira, ou fechamento das portas do mercado de trabalho. Por isso a responsabilidade de veicular informação torna o jornalista o portador de um dos bens mais preciosos, chamado: notícia. Parece-me uma definição bem simplista, embora o profissional tenha nas mãos o poder de manipular a informação beneficiando uma das partes envolvidas.
No filme "Ausência de Malícia" propõe uma reflexão sobre o comportamento do repórter em determinadas apurações, principalmente pela busca incessante do furo de reportagem. A grande tônica é a relação fonte x repórter, que muitos casos extrapolam um objetivo crucial: a verdade. No desenrolar do drama, notamos que a jornalista Megan passa por um dilema: o risco de prejudicar seu caso amoroso com o empresário Michael Gallagher (principal fonte), ora ocultar informações que auxiliem a polícia. Há uma subversão de valores, até porque o papel do profissional é justamente divulgar o que lhe apresentam como "oculto". Destaco mais uma falha primária, publicar informações que foram concedidas em "off", isto acaba gerando um clima de desconfiança com a fonte em questão.
A credibilidade deve estar presente no cotidiano do repórter, e para que um veículo de comunicação passe confiança ao leitor se faz necessário levar em consideração alguns fundamentais conceitos jornalísticos: "lei dos dois lados", rechecagem e pesquisa. Para que se tenha uma boa matéria baseada na coerência dos fatos, necessitamos cumprir pelo menos os referidos aspectos.
No jornalismo investigativo o olhar deve ser o mais desconfiado possível, temos o dever da "desconfiança". E foi justamente a ausência de malícia que provocou um embaraço na vida da protagonista. Infelizmente os jornalistas convivem com a iminência de serem perseguidos, seja pela sociedade ou reféns de suas próprias fontes. Afinal, o compromisso com a verdade custa caro e muitas vezes é pago com a própria vida.
(Igor Portella)
por Em Foco * 2:23 PM
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[Sexta-feira, Maio 04, 2007]
Definitivamente não quero fazer críticas nesse post. Aqui, aproveitando esse espaço, gostaria apenas de indicar algumas ¿boas¿ pro enriquecimento de quem lê esse blog.
É importante dar evidência a programas interessantes, porque, acredite ou não, eles ainda existem.
Muita gente nunca foi ao teatro na vida. Muita gente. Mais gente do que eu imaginava. Alguns alegam falta de dinheiro já que os ingressos são caros. E, para isso, trago para os moradores do Rio de Janeiro uma opção para quem quer conhecer ou se tornar freqüentador desse tipo de arte.
O CCBB, Centro Cultural Banco do Brasil, que já é um ótimo programa só de simplesmente visitar (e de graça!) tem ótimas peças de teatro por R$ 10. E estudantes, idosos, professores do município pagam meia entrada. Ou seja, por R$ 5, você pode assistir a peças de alto nível. Sim, sou suspeita para falar já que sou freqüentadora quase assídua do espaço, mas é um lugar que realmente vale a pena.
Já escutei gente dizer que teatro dá sono. Mas é porque ainda não assistiram uma boa peça. E se já tiverem assistido a todas as peças que estão lá em cartaz? Há também duas salas de cinema e algumas salas de vídeo. São filmes de várias nacionalidades e que estimulam vocês a pensarem sobre as narrativas cinematográficas do mundo todo. Ou nunca perceberam que os filmes dos Estados Unidos geralmente são mais dinâmicos que os europeus, japoneses, sul-americanos, iranianos, canadenses .. ? Os ingressos custam R$ 16 (estudantes e etc. pagam meia entrada), e o interessante é que esse ingresso é um cine-passe válido por um mês, ou seja, é possível assistir a diversos filmes por apenas, no máximo, oito reais.
E pra quem não tem um centavo no bolso? Exposições interessantíssimas estão à mostra o tempo todo. Há um tempo estava a do Aleijadinho, agora, há exposições brasileiras e até da China. Pinturas, fotografias e esculturas são opções de artes a serem vistas. E de graça, assim como eu escrevo aqui. É gente, a CCBB não nos patrocina, mas o importante é o trabalho que ela tem realizado.
Além de ter preços em conta, o lugar é de fácil acesso para várias regiões do Rio. É fácil ter acesso a ônibus para Zona Norte, Zona Sul, Zona Oeste, Niterói (fica próximo as barcas) e Baixada. Quem mora mais longe, há ônibus que vão para a Central do Brasil e Novo Rio.
Rua Primeiro de Março, 66 - Centro - Rio de Janeiro RJ - CEP 20010-000
Funcionamento: De terça-feira a domingo das 10h às 21h.
Informações pelo telefone (21) 3808-2020
(Shenara Pantaleão)
por Em Foco * 5:12 PM
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[Sexta-feira, Abril 20, 2007]
Participação Especial do mês: Victor Hora, 25 anos, estuda música na UNIRIO e é guitarrista da banda de rock Age One.
Panorama Cultural
Alguém sabe dizer a letra e a melodia do último samba-enredo campeão do carnaval carioca deste ano? Ou pelo menos uma parte deste que achou marcante? Me digam por favor se nasceu nos últimos quinze anos algum diferenciado que desceu o morro e mostrou ao asfalto que o samba é o maior patrimônio cultural que o Rio de Janeiro possui, capitaneado pela figura do malandro cantada por Wilson Batista ou Chico Buarque?
O povo brasileiro pós 1500, tanto estudado e exaltado por antropólogos e intelectuais como Darcy Ribeiro, por exemplo, gozam da prerrogativa de, apesar de terem sido originados de uma "mestiçagem acidental", terem desenvolvido uma cultura popular genuína e variada, mesmo mostrando semelhanças claras com seus alicerces. Se o mestiço não era aceito nem pela origem branca, nem pela sua origem negra ou índia, este desaculturado se viu obrigado a desenvolver a sua própria arte, religião e cotidiano. Músicos e estudiosos como Mário de Andrade ou Villa Lobos perpetuaram suas obras bebendo nessa fonte cultural.
Sem purismos ou radicalismos, mas mesmo nossa cultura sendo por natureza agregadora, influenciada e plural, não podemos fechar os olhos para o "big stick" cultural que os "yankees" neo colonialistas - liberalistas - globalizadores - dominadores - fagocitadores - exterminadores impõem. Quando as favelas não produzem um perpetuador da obra que Cartola vinha continuando, nem temos um novo poeta em Vila Isabel, temos que nos preocupar.
Parabéns à mídia por me lobotonizar, por me fazer guitarrista, rockeiro, e por fazer essa geração nascida nos anos 80 e 90 nas favelas se identificar mais com o hip hop e seu modo de vida que com suas verdadeiras ancestralidades.
Bezerra da Silva morreu. Chico Buarque, Martinho, Dicró e Beth Carvalho são sexagenários ou próximos disso. Zeca Pagodinho há muito foi uma revelação. Quem os substituirá? Alexandre Pires? Marcelo D2?
Por Victor Hora
por Em Foco * 6:03 PM
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[Quarta-feira, Abril 11, 2007]
Mais uma vez, na trave
Todos os torcedores fanáticos por futebol estão muito entretidos diante da televisão, principalmente quando o assunto é o tão sofrido gol do Romário. O famoso baixinho está em evidência na mídia, com a moral em alta. E dessa vez não é por causa da sua vida pessoal ou por ter circulado pela noite carioca com o seu Porsche.
Muitos torcedores estão eufóricos. Vascaínos rezam e se desesperam. Idolatram Romário como se fosse um revolucionário da época. Como se o gol fosse alterar de alguma forma as nossas vidas. E o que era para ser apenas mais um acontecimento corriqueiro, transformou-se em um espetáculo, uma grande festa.
Mas isso tem suas vantagens. É muito bom esse jeito brasileiro de ser, um jeito que consegue festejar por qualquer coisa - até mesmo por coisas aparentemente pequenas. É importante para o Brasil formar ídolos, vincular ainda mais o futebol à imagem da cultura brasileira. Entretanto, é preciso que haja um equilíbrio, um limite, para que a festa não vire uma nuvem de fumaça, desviando a atenção diante de fatos com maior relevância para a sociedade.
É preciso entender que isso é apenas mais um gol, mais um jogo, e mais um jogador em busca de fama, prestígio e fortuna. Por que ser só mais um na arquibancada, contribuindo para uma porcentagem que não será revertida nem a você; nem a maioria; e apenas a um só? Será que o Romário é mesmo tão especial assim?
Alguns meios de comunicação estão fazendo parte dessa euforia para vender e faturar com o espetáculo. E quem leva vantagem nesse jogo, mais uma vez, não é você. Mas tudo bem, deixa essa questão para lá... as pessoas só querem se divertir e curtir a festa. E se houver ressaca... a gente dá um jeitinho. O nosso típico jeitinho brasileiro; que não consegue dar jeito em nada; que não marca nenhum gol.
(Rosana Mclean)
por Em Foco * 2:04 PM
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[Segunda-feira, Abril 02, 2007]
Outra face literária.
A literatura marginalizada ganha força na formação cultural brasileira. Não se pode desprezar o espaço que alguns escritores/artistas vêm buscando, através da apresentação de uma nova alternativa literária. A resposta do público em geral está sendo observada quando analiso a repercussão de alguns movimentos como: "funk" e "rap".
Torna-se perceptível o poder de aproximar diferentes classes sociais, parece-me o encontro de dois mundos, duas realidades díspares. Vejo o favelado (morador da favela) compondo letras, e ao mesmo tempo a classe média o consumindo. Analogicamente uma relação de colônia e metrópole, pautada na vontade / liberdade de expressar um desejo ou revolta.
Talvez, poucas pessoas reconheçam sua importância, pois esses "intelectuais" não se prendem a nenhuma técnica de rima, tão pouco fazem questão de estar de acordo com a norma culta da língua portuguesa. Daí a expressão estar a "margem" da sociedade, embora esta característica não seja um empecilho para produções de alto nível.
Chamo sua atenção para esclarecer que os "marginais" como tais, desenvolvem trabalhos ricos, como os contos do escritor Ferréz, que já circulam pela Europa. Seus romances fazem sucesso, os personagens caracterizam milhares de brasileiros sofridos, doentes, desempregados, porém lutadores. Esta é a "chama" que o referido autor não deixa se apagar, por isso o coloco como alguém fronteiriço, ou seja, caminha com o ficcional e real o tempo todo.
Existe outra corrente que busca seu devido reconhecimento. Os "blogueiros", como somos chamados, desenvolvem na escrita suas manifestações artísticas. Tratando-se de arte não deixamos de representar uma literatura. É obvio que não temos a pretensão de nos tornarmos eruditos, afinal nossas raízes estão prezas no significado da palavra: "marginal".
Venero a literatura clássica, mas o momento, a "bola da vez", é a literatura marginalizada. Nesta crônica comentei alguns típicos exemplos, apesar de existirem diversos outros. Desejo um espaço mais aberto, democratizado no meio acadêmico, nas escolas, e nas editoras. Desta maneira, tais manifestações ganharão sua verdadeira identidade: o respeito.
(Igor Portella)
por Em Foco * 4:04 PM
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[Terça-feira, Março 27, 2007]
" Se pudesse escolher, entre o bem ou mal, ser ou não ser "
A música que abre o programa Big Brother Brasil não tem correspondido com o que passa no programa. Nas poucas vezes que assisti o Big Brother Brasil 7, percebi a preferência descarada do programa pelo Alemão. Não sei quem é melhor ou pior. Mas isso é um exemplo de manipulação exagerada e grosseira e que o povo como sempre, cai.
Acredito que a edição do programa, usou o artifício do bonzinho contra o malvado, capturados diretamente das novelas globais de sucesso, para levantar a audiência do programa, que estava mais baixa que anão de jardim. Dessa vez, não tinha nenhum pobre, nenhum ignorante, nenhum maluco, e aí perdeu a graça. Na falta das risadas, que venha o dramalhão. E o pior de tudo, um dramalhão mentiroso. Totalmente imparcial. Um ménage à trois contra um caipira, que parece ter inveja do sucesso dos atrativos germânicos.
Quem garante que o trio loiro também não manipulava como Alberto? O próprio Pedro Bial tratava do Cowboy como se ele fosse o capeta pintado de roxo. Enquanto isso, milhões de espectadores, se deixam levar com as imposições feitas pela mídia, acreditam que podem decidir o rumo do programa, e gastam o dinheiro do leite das crianças em ligações pra tirar o Cowboy do programa. Ou, para colocar em prática a democracia, e sendo pessoas politicamente ativas, promovem verdadeiras campanhas na internet, pra tirar fulano ou sicrano, como se isso fosse mudar em alguma coisa a nossa realidade de vida.
Espero que depois desse texto, as pessoas possam parar e reparar no que é exibido na tv. Nunca, jamais (e isso é dica de uma futura jornalista, hein?), se deixem manipular por algum ponto de vista. Reflitam sempre, busquem sempre mais informações antes de tomar qualquer partido na vida. E para os fãs do seriado voyeur da nossa ilustre Rede Globo, não deixem que qualquer edição molde o pensar de vocês. Se o Cowboy é, de fato, um safado, e o Alemão um santo, só o pay per view pode nos provar. Busque o completo.
(Shenara Pantaleão)
por Em Foco * 3:59 PM
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[Sexta-feira, Março 16, 2007]
Essência Perdida
Nós, seres humanos, não temos uma única face. Estamos sempre mudando, buscando novas conquistas. Queremos ser melhores, maiores do que já somos. Queremos mostrar nossa grandeza, mesmo que seja uma grandeza artificial e falsa, obtida através do silicone e de mentiras contadas. Dessa forma, negamos a nós mesmos; confundimos quem somos com a pessoa que gostaríamos de ser. Desperdiçamos tempo e energia tentando provar o que não somos.
A sociedade cria em nossas mentes diversos padrões a seguir e muitas pessoas sentem-se culpadas quando não atingem tais expectativas. Mas colocar-se na posição de vítima não diminuirá a angústia de quem vive o dilema de não saber o que seguir: a própria essência ou as expectativas da sociedade.
Até quando nós, seres humanos, continuaremos cometendo os mesmos erros? Até quando deixaremos uma pequena dor corroer todas nossas qualidades? Querer ser outro não traz felicidade, apenas ilusão e frustração. Queremos ser melhores mas, diversas vezes, desfocamos nossas qualidades por medo da rejeição. Não percebemos que ela já está acontecendo dentro de nós mesmos.
Negar a si mesmo é desconhecer a própria essência. E rejeitar a própria essência é desconhecer felicidade.
(Rosana Mclean)
por Em Foco * 5:53 PM
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A arte de fazer política
No meio político, com freqüência nos deparamos com verdadeiros artistas. Personagens mais variados, interesses em comum; pelo menos é o que podemos dizer do mais novo centralizador, idealizador e revolucionário Hugo Chavez. Sua retórica baseia-se contra todos os princípios norte americanos. A Venezuela de hoje parece um quintal de Cuba. A escola de Fidel Castro vem formando importantes figuras na América Latina. Se no passado existia a preocupação de quem daria continuidade a luta cubana, hoje já não há. Além de Chavez, a ilha conta com o apoio da "tribo" boliviana, representada pelo cacique nacionalista Evo Moralez.
A opinião pública não cansa de veicular declarações desafiadoras do presidente venezuelano endereçadas ao governo "Bush", que por sua vez não demonstra grande preocupação, afinal o petróleo do Iraque ainda está abundante.
O que o Imperialismo norte americano não esperava encontrar é tanta resistência da população iraquiana. Chegaram na "marra", tomando conta de um país nefasto, em nome de uma democracia disfarçada. Isso vem custando caro para os cofres da Casa Branca, manter boa parte do poderio militar no oriente médio preocupa, pois a guerra contra o "terrorismo" não tem cor, uniforme e muito menos data para terminar.
Não poderia esquecer do sindicalista mais famoso do mundo, Lula. Acaba de fechar um acordo com o "Tio Sam" onde só para variar saímos em desvantagem. Aliás, nossa tônica ultimamente é só essa! Venderemos etanol para o mercado dos EUA, a preço de "banana"! Tudo bem, estamos falando da primeira economia do mundo, de um mercado consumidor tentador...
Agora, por essa ninguém esperava. Até a Bolívia conseguiu ver seus interesses atendidos, precisou do exército, transformou o Gás Natural numa novela, e no final o Brasil cedeu literalmente aos caprichos bolivianos. E agora, quem atenderá aos nossos desejos, será o Haiti?
(Igor Portella)
por Em Foco * 5:49 PM
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Retrato da indiferença
O presidente Lula, durante todo aquele burburinho sobre a redução da maioridade penal, disse: "Fico imaginando que se aceitarmos a diminuição da idade para 16 anos depois será 15, depois 10 e, quem sabe, algum dia, queiram até punir o feto se souberem o que vai acontecer no futuro." Apesar de adorar humor negro, não achei feliz a declaração do presidente da República. No mínimo, uma falta de sensibilidade tremenda.
Quer dizer que os menores infratores não podem ser presos, mas várias crianças podem ser assassinadas diariamente, de maneiras cada vez mais hediondas?
Acredito que daqui a alguns anos, o problema da educação finalmente acabará. Não, não será com nenhuma política pública de Darcy Ribeiro ou de qualquer pensador da educação, mas sofreremos de evasão escolar, já que não haverá crianças no Brasil.
Não haverá mesmo. Porque se é nordestino e pobre, morre de fome. Se for das principais capitais, morre vítima da violência. E se é rico, de qualquer lugar, morre drogado. Morre da droga ou pela droga.
Ah! É bom lembrar que os menores infratores, que são protegidos pelas leis do Mr. Lula, são vítimas do mal da droga, da fome e da violência. Mas, acima de tudo, são vítimas da sua própria maldade. E merecem ser tratados como algozes que são.
(Shenara Pantaleão)
por Em Foco * 5:48 PM
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